Programação Ă© coisa de jovem? Este relato prova o contrĂĄrio. De office boy aos 14 anos a Tech Lead â e a construção do Nerd Cult â tudo começou depois dos 40.
Sabe aquela histĂłria de que programação Ă© um mundo de jovens de 20 anos, com mente aberta e energia infinita? Pois Ă©. Essa narrativa Ă© um dos maiores mitos do mercado de tecnologia â e este relato Ă© a prova viva disso.
Este que vos escreve começou a trabalhar aos 14 anos como office boy, morou na favela, tentou administração, abandonou o curso e sĂł descobriu a programação depois dos 30. E ouviu, aos 40, que jĂĄ era "velho demais" para começar. Hoje, sou Tech Lead, lidero uma equipe de programadores e construĂ este blog, o Nerd Cult â inteiramente desenvolvido em C# com .NET MVC.
Neste artigo, vou compartilhar minha trajetória, os desafios reais de entrar na årea depois dos 40, as vantagens que um profissional mais experiente traz e por que a programação não tem idade.
1. O começo humilde e a descoberta tardia
No inĂcio, eu nĂŁo tinha a menor ideia do que queria fazer da vida. Comecei a trabalhar cedo, com 14 anos, como office boy no Centro Salesiano do Menor (CESAM) para ajudar em casa. Era um começo humilde â morando na favela com minha mĂŁe e minha irmĂŁ mais nova, com o pai jĂĄ falecido.
Com o tempo, fui trabalhar em uma empresa de construção civil, onde cheguei ao departamento pessoal. Influenciado pelos colegas, achei que aquela seria minha carreira e tentei cursar administração. Mas aà veio a primeira reviravolta: descobri o Excel. Comecei a criar fórmulas malucas para controlar todo tipo de rotina de departamento pessoal. Eu me divertia com aquilo, sem saber que aquela curiosidade era o primeiro sinal de que algo maior estava por vir.
Nessa Ă©poca, tambĂ©m me via interessado pelas revistas de bancas de jornal que mostravam SQL, C++ e outras linguagens. Era sĂł curiosidade mesmo â o dinheiro era curto e aquelas revistas eram caras. Mas algo me atraĂa naquelas pĂĄginas.
O curso de administração eu abandonei logo. Entendi que realmente não era o que eu queria fazer.
2. A entrada no mundo da tecnologia
Treze anos se passaram. SaĂ do departamento pessoal e, depois de um tempo desempregado, entrei em uma empresa de TI com o foco em dar treinamento em um sistema ERP. Novamente, eu dava treinamento de departamento pessoal utilizando esse sistema â fazia a implantação e dava suporte.
Foi aà que notei que tinha uma certa aptidão. A habilidade de construir fórmulas no Excel me fez entender a construção de fórmulas no outro sistema. E com isso, veio a curiosidade de saber mais. Foi nesse momento que tive o contato real com as palavras: framework, SQL, linguagem de programação.
Lembrei do tempo em que só via as revistas nas bancas de jornal e pensei: "é isso que eu quero aprender". Me descobri na årea. Em pouco tempo, consegui me adaptar à linguagem SQL e expandi minhas atuaçÔes na empresa: além de implantar, jå fazia conversão de dados (importação e exportação) e manutençÔes no banco. Foi quando decidi: essa seria minha carreira.
3. A escolha do C# e o choque da idade
Seguindo orientação de programadores que conheci, optei por escolher C# como linguagem padrĂŁo. Mas com os estudos, tive contato com Java, JavaScript, C++, C, PHP â sempre com fome de aprender mais.
A grande questĂŁo veio ao tentar entrar no mercado. Eu jĂĄ tinha meus 40 anos de idade.
Comecei a ouvir frases que, confesso, doĂam:
- "Programação Ă© para os jovens de 20 aninhos, que tĂȘm a mente mais aberta."
- "VocĂȘ jĂĄ estĂĄ velho para isso."
Essa Ășltima fala me foi dita por um retorno de uma oportunidade de emprego. Coisas que jogam a gente pra baixo, que fazem a gente pensar que errou demais ao nĂŁo conseguir escolher uma carreira e que nĂŁo hĂĄ mais tempo.
4. A virada: da recusa Ă primeira oportunidade
Mas eu decidi: nunca desistir. Para colocar a gente pra baixo, sempre terĂŁo muitos. Se nĂŁo arrumasse trabalho, tentaria por conta prĂłpria â coisa que o trabalho em programação e desenvolvimento pode proporcionar.
AtĂ© que um dia, uma empresa, mesmo eu sendo "velho", me entrevistou. Perguntaram se eu tinha experiĂȘncia. Falei a verdade: "JĂĄ fiz muitos trabalhinhos, mas nada para uma empresa grande". AĂ veio a pergunta que mudou tudo:
"Mesmo com sua idade, vocĂȘ aceitaria fazer uma experiĂȘncia na ĂĄrea como jĂșnior? SalĂĄrio baixo."
Minha resposta foi imediata: "Eu topo â sĂł quero uma oportunidade".
Agarrei aquela chance com unhas e dentes. Como todo começo, tive desafios â mas aos poucos me vi fazendo manutenção nos sistemas, novas implementaçÔes, APIs. A idade que alguns diziam ser um problema nunca atrapalhou meu cĂłdigo.
5. A vantagem de ser um programador 40+
Com o tempo, entendi que a idade nĂŁo Ă© um obstĂĄculo â Ă© uma vantagem competitiva. Um profissional com mais de 40 anos traz coisas que nenhum curso de programação ensina:
- ResiliĂȘncia: jĂĄ enfrentou desafios reais, sabe que problemas tĂȘm solução e nĂŁo desaba diante de um erro no cĂłdigo.
- InteligĂȘncia emocional: lida melhor com pressĂŁo, prazos, conflitos e feedbacks.
- Capacidade de comunicação: sabe ouvir, sabe perguntar, sabe explicar â habilidades que muitos juniores de 18 anos ainda estĂŁo aprendendo.
- VisĂŁo sistĂȘmica: entende que cĂłdigo nĂŁo existe no vĂĄcuo â ele serve a um negĂłcio, a um cliente, a uma dor real.
- Disciplina: a bagagem de vida ensina que o esforço consistente compensa mais que o talento puro.
A Korn Ferry confirma: profissionais com mais experiĂȘncia e soft skills desenvolvidas estĂŁo sendo cada vez mais valorizados â muitas vezes atĂ© mais que diplomas ou certificaçÔes tĂ©cnicas.
6. O Nerd Cult: prova de que idade nĂŁo define capacidade
Hoje, sou Tech Lead. Chefio uma pequena equipe de programadores. E construĂ este blog, o Nerd Cult, que vocĂȘ estĂĄ lendo agora â desenvolvido inteiramente em C# com .NET MVC.
A mesma curiosidade que me fez olhar revistas de SQL nas bancas, décadas atrås, me trouxe até aqui. E o blog é a prova de que a idade nunca foi o limite.
NĂŁo fui o Ășnico. A pesquisa da Exame mostra que profissionais acima dos 50 estĂŁo entre os mais procurados por empresas â justamente pela combinação de experiĂȘncia e adaptabilidade.
UOL O etarismo existe, mas nĂŁo define o mercado â a escassez de talentos estĂĄ abrindo portas para quem tem experiĂȘncia real.
7. Conclusão: nunca é tarde para recomeçar
Sou a prova viva de que nĂŁo importa a idade. A programação nĂŁo olha para a data de nascimento â olha para a capacidade de resolver problemas, de aprender, de se dedicar.
Se vocĂȘ tem mais de 40 anos e estĂĄ pensando em entrar na ĂĄrea, ou se jĂĄ estĂĄ nela e se sente deslocado, minha mensagem Ă©: continue. Sempre vai ter alguĂ©m dizendo que Ă© tarde demais, que vocĂȘ estĂĄ velho, que nĂŁo vai conseguir. A questĂŁo Ă© nunca desistir. Pois para colocar a gente para baixo sempre terĂŁo muitos.
Eu decidi: se nĂŁo arrumasse trabalho, tentaria por conta prĂłpria. Foi o que fiz â e hoje lidero equipes, construo projetos e ajudo outros devs a encontrarem seu caminho.
A programação nĂŁo tem idade. O cĂłdigo nĂŁo liga para seus anos. A Ășnica coisa que importa Ă© o que vocĂȘ pode fazer com ele.
UOL O etarismo existe, mas a experiĂȘncia e a maturidade sĂŁo diferenciais que nenhuma tecnologia substitui.
VocĂȘ tambĂ©m pode recomeçar na programação
No Nerd Cult, acreditamos que a idade Ă© sĂł um nĂșmero â e que o cĂłdigo estĂĄ aberto a quem quer aprender. Assine nossa newsletter e receba conteĂșdos sobre programação, carreira e cultura geek.

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BÎnus: Guia de Transição de Carreira para Programação
Nerd Cult â onde o cĂłdigo encontra o rock, o cinema e a cultura geek. Porque ser nerd Ă© transformar o medo em curiosidade, e a curiosidade em poder.
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ComentĂĄrios (1)
Os melhores estão em alta meu povo! 40 +. É isso aí!!!
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